quarta-feira, 15 de março de 2017

ATIVIDADES COM RELATO MÍTICO - 3° ANO -ENSINO MÉDIO

Características de uma história mítica
A palavra vem do mito grego mito e refere-se a relatos orais ou escritas de evento maravilhoso onde os protagonistas são seres
Supernatural: deuses, semideuses, monstros.
Extraordinária: heróis.
O mito é caracterizado por:
Narra sobrenatural e racionalmente inexplicável.
Respondendo a perguntas sobre a origem das coisas relativas à criação da terra, morte, nascimento.
Personificar e deificar fenômenos naturais, daí os deuses são responsáveis ​​por eventos naturais e do comportamento e destino das pessoas.
Ser parte de uma tradição que é passada de geração em geração.
Entre as questões opostas e irreconciliáveis: criação contra a destruição, a vida contra a morte, contra os homens ou deuses contra o mal.
Que fornecem pólos de reconciliação a fim de evitar a nossa angústia.

ORIGEM E TIPOS DE MITOS   

O mito apareceu pela primeira vez na Grécia ver e ter uma origem religiosa e oral. Seus detalhes variam durante a transmissão, resultando em diferentes versões.

De acordo com o tema dominante que revelam, mitos incluem:
MITOS OSMOGÒNICOS: tentativa de explicar como o mundo foi criado, que se refere a muitas vezes que vem de plantas, um punhado de terra, um animal ou planta. Os protagonistas deste tipo de Sule história se apresenta gigantes características de semideuses.

MITOS teogônicos:  narrar a origem e história de vários deuses míticos. Alguns deles contam como os seres humanos são transformados em deuses. A idéia é que esses deuses é bastante humanizada. 

MITOS ANTROPOGONICOS: contam como seres humanos apareceu no mundo. Pode ser criado a partir de uma planta, um animal, o lobo, argila, etc. e aprendeu a viver na Terra graças aos deuses. muitas vezes eles relacionados como mitos da criação. 

MITOS etiológicos: eles procuram para explicar a origem dos seres vivos e inertes das coisas, técnicas e instituições.

Fundador mitos:   relata como algumas cidades foram fundadas pelos deuses. 

MITOS escatológicas: anunciados como será o fim do mundo, que é contada através de eclipses, terremotos e todos os tipos de desastres naturais que aterrorizam as pessoas. 

CIENTISTAS mitos, mitos familiares, mitos pessoais 

mitos científicos: os seres humanos sempre tiveram uma necessidade de compreender o mundo em torno dele, por isso às vezes explica fenômenos naturais com os fundamentos que parecem razoáveis e eles som relativamente cientistas, mas, na verdade, é falsos mitos da ciência, porque ele é não você pode verificar com a lógica e os fatos. 
mitos familiares são crenças que são compartilhados pelo grupo familiar e que se manifestam através das regras, às vezes secreto e são realizadas por membros da família, como se fossem verdades 
características:
É a imagem ideal da família, mas esta imagem nem sempre coincide com a visão que as pessoas têm de que a família.
É transmitida de geração em geração.

mitos  pessoais: a mitologia pessoal da mitologia família. Este é construído e encenado na esfera privada de cada indivíduo, porque cada pessoa vive dramas internos que se manifestam em medos, estado de ansiedade, imitadores crenças que não deixam a dor, angústia e desespero. Quando as pessoas efetivamente identificar seus mitos pessoais são capazes de encontrar soluções para seus conflitos. 

ATIVIDADES
: EROS E PSIQUE
 Não havia criatura humana ou divina que fosse mais bela do que Psique. No entanto, ela era uma simples mortal.
 Certo dia, ao descer do Olimpo, Eros se apaixonou por Psique e quis se casar com ela. Ordenou a Zéfiro, o vento, que a transportasse para os ares e a instalasse num palácio magnífico. Psique foi levada, conforme as ordens de Eros, e ficou extasiada com o esplendor de sua nova morada.
 - Não se assuste, Psique, sou dono desse palácio. Ofereço-o a você como presente de nosso casamento, pois quero ser seu esposo. Tudo o que você está vendo lhe pertence. Se tiver algum desejo, bastará pronunciá-lo para que seja realizado. Zéfiro estará às suas ordens, ele fará tudo o que você ordenar. Em troca de minha afeição, só lhe faço uma exigência: não tente me ver. Só sob essa condição poderemos viver juntos e ser felizes.
 A aurora se aproximou e o ser misterioso desapareceu sem mostrar o rosto a Psique.
 Mas, à medida que as noites iam passando, a moça ia ficando mais curiosa para ver seu companheiro. Morria de vontade de saber quem era ele. Certa noite, assim que o sol se pôs, ela pegou uma lamparina, escondeu-a entre as flores e ficou à espera. O marido não demorou a chegar. Falou-lhe com sua voz suave, enquanto ela aguardava ansiosa à hora de dormir. Logo Eros se deitou e adormeceu. Psique ergueu a lamparina para enxergar melhor e viu um belo jovem, de faces coradas e cabelos loiros. Com uma respiração regular e tranquila, ele exalava um hálito doce e perfumado. Psique não conseguia tirar os olhos do belo quadro. Sua mão tremeu de emoção, a lamparina balançou e uma gota de óleo caiu no braço do rapaz, que acordou assustado. Ao ver Psique, ele desapareceu. O encanto se rompeu. Foi-se o belo palácio, acabaram-se os jardins mágicos, as flores perfumadas. Não havia mais nada nem ninguém! Psique viu-se caminhando num lugar pedregoso e selvagem, corroída pelo arrependimento e maldizendo sua curiosidade.
 Desolado, Eros voltou para o Olimpo e suplicou a Zeus que lhe devolvesse a esposa amada. O senhor dos deuses respondeu:
 - O deus do amor não pode se unir a uma mortal.
 Mas Eros protestou. Será que Zeus, que tinha tanto poder, não podia tornar Psique imortal?
 O deus dos deuses sorriu, lisonjeado. Além do mais, como poderia deixar de atender a um pedido de Eros, que lhe trazia lembranças tão boas? O deus do amor o tinha ajudado muitas vezes, e talvez algum dia Zeus precisasse recorrer de novo a seus favores. Seria mais prudente não o contrariar.
 Dessa vez, Hermes substituiu Zéfiro. Zeus ordenou que o mensageiro fosse buscar Psique e a trouxesse para o reino celestial. Lá ele lhe ofereceria ambrósia e néctar, tornando-a imortal.
 Nada mais se opôs aos amores de Eros e Psique. Seu casamento foi celebrado com muito néctar, na presença de todos os deuses. As Musas e as Graças aclamaram a nova deusa em meio a danças e cantos.
GENEST, Émile, FÉRON, José, DESMURGER, Marguerite.

ATIVIDADES
1) As expressões temporais situam as ações narradas num momento indefinido do tempo, ou seja, não é possível “datar” essas noções nem localizá-las precisamente em relação ao hoje.
Assinale a alternativa que corresponda à expressão indicativa de tempo da narrativa “Eros e Psique”.
a) (  ) Certo dia  X
b) (  ) Não havia
c) (  ) No entanto
d) (  ) A moça ouviu
e) (  ) Psique foi levada 

2) Os indicadores de lugar nas narrativas míticas referem-se de maneira vaga ao local. Os acontecimentos narrados situam-se apenas em relação a esse lugar. Sendo assim, é possível afirmar que o espaço principal da narrativa acima é
a) (  ) O Hades  b) (  ) A terra c) ( X) O Olimpo d) (  ) A mansão e) (  ) O palácio

3) No geral, as narrativas míticas tem um fundo bastante simbólico, ou seja, as personagens e as situações representadas simbolizam forças da natureza, aspectos gerais da condição humana, realidades que o homem não consegue explicar, e que estão ligadas às divindades. Logo, é possível afirmar que a união entre Eros e Psique simboliza, quanto à condição humana,
a) (  ) o equilíbrio entre o lado físico e o lado espiritual do amor.
b) (  ) as frustações amorosas.
c) (  ) a condição plenamente espiritual do amor. X
d) (  ) a condição plenamente carnal do amor.
e) (  ) a impossibilidade de realização total do amor.








ATIVIDADES COM ELEMENTOS DA NARRATIVA - 2° ANO - ENSINO MÉDIO

Elementos da Narrativa:
Tempo, Espaço, Personagens & Foco narrativo


TEMPO:
Tempo cronológico ou tempo da história - determinado pela sucessão cronológica dos acontecimentos narrados.
Tempo histórico - refere-se à época ou momento histórico em que a ação se desenrola.
Tempo psicológico - é um tempo subjetivo,vivido ou sentido pela personagem, que flui em consonância com o seu estado de espírito.
Tempo do discurso - resulta do tratamento ou elaboração do tempo da história pelo narrador. Este pode escolher narrar os acontecimentos por :
- ordem linear
- com alteração da ordem temporal, recorrendo à analepse ou à prolepse (antecipação de acontecimentos futuros)
- ao ritmo dos acontecimentos como, por exemplo, na cena dialogada
a um ritmo diferente, recorrendo ao resumo ou sumário, à elipse e à pausa

ESPAÇO:
- Espaço ou Ambiente físico: é o espaço real, que serve de cenário à ação, onde as personagens se movem.
- Espaço ou Ambiente social: é constituído pelo ambiente social, representando, por excelência, pelas personagens figurantes.
- Espaço ou Ambiente psicológico: espaço interior da personagem, abarcando as suas vivências, os seus pensamentos e sentimentos.
- O espaço ou ambiente: pode ser desde uma praia a um lago congelado. De acordo com espaço ou ambiente é que os fatos da narração se desenrolam.

PERSONAGENS:
- Protagonista, personagem principal ou herói: desempenha um papel central, a sua atuação é fundamental para o desenvolvimento da ação.
- Personagem secundária: assume um papel de menor relevo que o protagonista, sendo ainda importante para o desenrolar da ação.
- Figurante: tem um papel irrelevante no desenrolar da ação, cabendo-lhe, no entanto, o papel de ilustrar um ambiente ou um espaço social de que é representante.
- Tudo o que ocupa um espaço e pratica uma ação, mesmo que involuntária pode ser considerado um personagem.

FOCO NARRATIVO:
- Foco narrativo, ou ponto de vista: É o elemento estrutural da narrativa que compreende a perspectiva através da qual se conta uma história. É, basicamente, a posição a qual o narrador, ou voz que articula a narração, conta a história. Os pontos de vista mais conhecidos são dois: narrador-observador e narrador-personagem
- Narrador- Observador: é aquele que conta a história através de uma perspectiva de fora da história, isto é, ele não se confunde com nenhum dos personagens. Este foco narrativo se dá, predominantemente, em terceira pessoa
- Narrador- Personagem :é aquele que conta a história através de uma perspectiva de dentro da história, isto é, ele, de alguma forma participa do enredo, sendo um dos personagens da história, usando a Primeira Pessoa (singular ou plural) para se contar história

.Atividades

1-São características do gênero narrativo:

a) No gênero narrativo, há sempre um eu que se expressa, elemento que é responsável pelo subjetivismo atribuído a esse tipo de composição.
b) O gênero narrativo é marcado pela afetividade e pela emotividade do clima lírico, sempre relacionado com o íntimo e a introspecção.
c) O gênero narrativo apresenta um enredo, no qual existe uma situação inicial, a modificação da situação inicial, um conflito, o clímax e o epílogo. Os elementos que compõem o gênero narrativo são narrador, tempo, lugar, enredo ou situação e as personagens. X
d) O gênero narrativo faz referência à narrativa feita em forma de versos, contando histórias e fatos grandiosos e heroicos sobre a história de um povo. O narrador fala do passado, o que justifica os verbos sempre empregados no tempo pretérito.

 Leia os fragmentos de textos a seguir.

Texto 01
 “Agora lúcida e calma, Lóri lembrou-se de que lera que os movimentos histéricos de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a coisa ignorada que o estava prendendo – a ignorância do movimento único, exato e libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole – durante o sábio descontrole de Lóri ela tivera para si mesma agora as vantagens libertadoras vindas de sua vida mais primitiva e animal: apelara histericamente para tantos sentimentos contraditórios e violentos que o sentimento libertador terminara desprendendo-a da rede, na sua ignorância animal ela não sabia sequer como,” (LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou O Livro dos prazeres. 9. ed. Rio de janeiro: Nova fronteira, 1982, p. 14)

 Texto 02
 “Estou absolutamente cansado de literatura; só a mudez me faz companhia. Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte. A procura da palavra no escuro. O pequeno sucesso me invade e me põe no olho da rua. Eu queria chafurdar no lodo, minha necessidade de baixeza eu mal controlo, a necessidade da orgia e do pior gozo absoluto. O pecado me atrai, o que é proibido me fascina. Quero ser porco e galinha e depois matá-los e beber-lhes o sangue. Penso no sexo de Macabéa, miúdo mas inesperadamente coberto de grossos pêlos negros – seu sexo era a única marca veemente de sua existência.” (LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. 21. ed. – Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993, p. 88.)

2- Considere as seguintes afirmações a respeito dos trechos reproduzidos acima.

I Nas duas narrativas, observa-se uma temática de cunho existencial, com linguagem fragmentada

II Em “A hora da estrela”, há ênfase na condição feminina no mundo do trabalho; em “Uma aprendizagem ou O Livro dos prazeres”, há um questionamento sobre o homem.
III Em ambas as narrativas, observam-se personagens femininas em foco e um narrador que oscila de posição.
IV O narrador, em “A hora da estrela”, oscila de posição, e em “Uma aprendizagem ou O Livro dos prazeres”, mantém um único ponto de vista
Conclui-se que estão corretas as afirmações
 A) I e IV.   X
 B) I e III.
C) II e IV.
D) II e III.

ATIVIDADES COM TEXTO E HIPERTEXTO - 1° ANO - ENSINO MÉDIO

O que é um texto?
1º- os textos não são apenas escritos, eles também podem ser orais; 
2º- os textos não são simples amontoados de palavras ou frases, ou seja, eles precisam fazer sentido. 

Contexto

O contexto pode ser explícito, quando é expresso por palavras (o texto em que se encontra a frase ou a frase em que se encontra a palavra), ou implícito, quando está embutido na situação em que o texto é produzido.

Conhecimento de mundo                                                  
Ao longo de sua vida, o leitor adquire conhecimentos utilizados durante a leitura dos textos. O leitor constrói o sentido do texto quando articula diferentes níveis de conhecimento, entre eles o conhecimento de mundo. Esse tipo de conhecimento costuma ser adquirido informalmente, através de nossas experiências pessoais e convívio em sociedade.

Textos verbais e visuais
 Há textos que não contam com o auxílio da palavra, seja ela escrita ou oral. É o caso, por exemplo, da fotografia e da pintura. Dizemos, então, que há textos verbais e visuais. Há ainda textos que utilizam os dois recursos, como os filmes, que usam imagens, diálogos e legendas.  
Então, chegamos a conceito de texto mais ampliado e consistente: todo enunciado que faz sentido para um determinado grupo em uma determinada situação.

Hipertexto
 O termo hipertexto foi criado por Theodore Nelson, na década de 1960, para denominar a forma de escrita e de leitura não linear na informática. O hipertexto se assemelha à forma como o cérebro humano processa o conhecimento: fazendo relações,acessando informações diversas, construindo ligações entre fatos, imagens, sons, enfim, produzindo uma teia de conhecimentos.
No hipertexto, o leitor passa a ter uma participação mais ativa,pois ele pode seguir caminhos variados dentro do texto,selecionando pontos que o levam a outros textos ou outras mídias para complementar o sentido de sua leitura. O leitor torna-se, assim, um coautor do texto, pois constrói tramas paralelas de acordo com seu interesse.




Estrutura do hipertexto (Foto: Colégio Qi)
No entanto, o hipertexto não está somente na internet. Um livro de formato tradicional também pode ter sua estrutura interna em forma de hipertexto. Um livro de contos, por exemplo, pode ser lido sem seguir a ordem em que os contos foram organizados. As enciclopédias e os dicionários também apresentam estrutura hipertextual, já que indicam outros verbetes que complementam a consulta do leitor. E ainda há livros em que o autor coloca nas margens informações complementares ao texto principal, buscando o formato hipertextual.
Estamos rodeados por hipertextos dentro e fora da internet. O hipertexto permite a interatividade e a livre escolha para começar a leitura por qualquer um dos textos que compõem a teia. O leitor é quem decide por quais passará, percebendo novos caminhos, ampliando os limites da leitura.

ATIVIDADES

TOCANDO EM FRENTE
                                 (Almir Sater / Renato Teixeira)
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz,
Quem sabe eu só levo a certeza
De que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou
Estrada eu vou
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora um dia
A gente chega e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
.

1- Assinale mais de uma alternativa que esteja de acordo com o texto:
a. (  ) Para o poeta, a vida deve ser levada, tocada como uma boiada, pois não conseguimos entender a imprevisibilidade de ambas.
X
b. (  ) Só é possível ser feliz nesta jornada, depois de um toque de Deus, o velho boiadeiro, que nos impulsiona pela longa estrada da vida.
c. (  ) Só através do choro individual e de outros é que descobrimos o valor de um sorriso.      
 X
d. (  ) Manhãs, maçãs e chuva fazem parte da nossa história, já que não somos donos do nosso destino.
e. ( ) Segundo o poeta, para se viver, é necessário entender o andamento da jornada e continuar vivendo.  
X



 2- A conversa entre Mafalda e seus amigos 
A) revela a real dificuldade de entendimento entre posições que pareciam convergir.  X
B) desvaloriza a diversidade social e cultural e a capacidade de entendimento e respeito entre as pessoas. 
C) expressa o predomínio de uma forma de pensar e a possibilidade de entendimento entre posições divergentes. 
D) ilustra a possibilidade de entendimento e de respeito entre as pessoas a partir do debate político de ideias. 
E) mostra a preponderância do ponto de vista masculino nas discussões políticas para superar divergências.


O hipertexto permite — ou, de certo modo, em alguns casos, até mesmo exige — a participação de diversos autores na sua construção, a redefinição dos papéis de autor e leitor e a revisão dos modelos tradicionais de leitura e de escrita. Por seu enorme potencial para se estabelecerem conexões, ele facilita o desenvolvimento de trabalhos coletivamente,o estabelecimento da comunicação e a aquisição de informação de maneira cooperativa.
Embora haja quem identifique o hipertexto exclusivamente com os textos eletrônicos, produzidos em determinado tipo de meio ou de tecnologia, ele não deve ser limitado a isso, já que consiste numa forma organizacional que tanto pode ser concebida para o papel como para os ambientes digitais. É claro que o texto virtual permite concretizar certos aspectos que, no papel, são praticamente inviáveis: a conexão imediata, a comparação de trechos de textos na mesma tela, o “mergulho” nos diversos aprofundamentos de um tema, como se o texto tivesse camadas, dimensões ou planos.
RAMAL, A. C. Educação na cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem.
Porto Alegre: Artmed, 2002


3- Considerando-se a linguagem específica de cada sistema de comunicação, como rádio, jornal, TV, internet, segundo o texto, a hipertextualidade configura-se como um (a)
a) elemento originário dos textos eletrônicos.
b) conexão imediata e reduzida ao texto digital.
c) novo modo de leitura e de organização da escrita. X
d) estratégia de manutenção do papel do leitor com perfil definido.
e) modelo de leitura baseado nas informações da superfície do texto.

4- Sobre o hipertexto, é INCORRETO afirmar:
a) Tipo de texto maior que somente pode ser encontrado na internet. Desde sua criação, na década de 60, já estava previsto que o hipertexto se desenvolveria em um tipo de texto eletrônico criado através de uma tecnologia radicalmente nova. X
b) O termo hipertexto foi criado na década de 60 pelo filósofo, sociólogo e pioneiro da Tecnologia da Informação, Ted Nelson. Nos primórdios da informática, Nelson já vislumbrava os textos eletrônicos disponíveis em suportes inteligentes e interativos.
c) O hipertexto é uma forma organizacional encontrada também no papel, embora seja cada vez mais comum relacioná-lo com os textos virtuais. É, sobretudo, um tipo de intertextualidade que está relacionado com a evolução dos modos de leitura e organização da escrita.
d) O hipertexto é uma espécie de texto maior formado por vários outros elementos textuais acessíveis através de links hiperlinks, que permitem ao usuário criar um processo de leitura não linear e não hierarquizada.

domingo, 12 de março de 2017

ATIVIDADES COM GRAUS DE FORMALIDADE DA LINGUAGEM - 3° ANO ENSINO MÉDIO

NÍVEIS DE FORMALIDADE E VARIANTES LINGUÍSTICAS
A linguagem pode ser mais ou menos formal dependendo da situação.  Neste capítulo, o que são os níveis de formalidade, estrangeirismos e neologismos e ainda vai entender mais sobre o emprego de gírias e regionalismos.

LÍNGUAGEM FORMAL E LINGUAGEM INFORMAL
 A linguagem formal pode ser oral ou escrita.  É geralmente empregada quando nos dirigimos a um interlocutor com quem não temos proximidade: solicitação de algo a uma autoridade, entrevista de emprego, por exemplo.  A polidez e a seleção cuidadosa de palavras são suas características marcantes.
 A linguagem formal segue a norma culta.  É usada em situações formais, como correspondência entre empresas, artigos de alguns jornais e revistas, textos científicos, livros didáticos.
A linguagem informal também pode ser oral e escrita.  É geralmente empregada quando há um certo grau de intimidade entre os interlocutores, em situações informais, como na correspondência entre amigos e familiares.
A estrutura da linguagem informal é mais solta, com construções mais simples, e permite abreviações, diminutivos, gírias e até construções sintáticas que não seguem a norma culta.  Lembre-se de que usar essa linguagem não significa que o emissor não saiba (ou não possa) se comunicar de outra forma quando necessário.
                                              
ESTRANGEIRISMOS
 A forte influência que algumas culturas exercem sobre outras pode ser percebida no vestuário, na culinária, na música, no cinema e também no comportamento.  Na língua, pode se manifestar pelo emprego de estrangeirismos.
Algumas palavras são empregadas até hoje sem modificar a forma original ou a pronúncia, mesmo existindo o termo aportuguesado.  Por exemplo:  usa-se omelete, vitrine, nuance, vindas do francês – e não omeleta, vitrina e nuança.
Uma palavra – hoje considerada estrangeirismo – pode, com o tempo, ser incorporada ao cotidiano do falante e ao vocabulário da língua.  Foi o que ocorreu com lanche e futebol: essas palavras, assimiladas do inglês (lunch e football), eram estrangeirismos quando começaram a ser utilizadas e agora fazem parte do vocabulário da língua portuguesa.
Atualmente, observa-se o uso cada vez mais frequente de estrangeirismos, o que em geral tem relação com a globalização dos meios de produção e da economia.  Termos como design, case, job deadline, show etc. Estão presentes na TV, no rádio, na mídia impressa e na internet.
No entanto, nem sempre o uso do estrangeirismo comunica ou traduz o que pretende o emissor. No texto a seguir, você pode observar tanto usos funcionais quanto equivocados desse recurso linguístico.

NEOLOGISMOS
Os neologismos ocorrem quando o falante necessita expressar uma ideia mas não encontra uma palavra com significado adequado na língua.  Nesses casos, o falante recorre a uma palavra em outra língua, cujo significado expressa bem a ideia. Os neologismos ocorrem também quando o falante usa uma palavra com um sentido novo, diferente do significado original.
Algum tempo após o seu uso informal, alguns neologismos são incorporados aos dicionários, isto é, são dicionarizados.
Na literatura e na música, os neologismos são utilizados sem restrições em razão da licença poética de que dispõem os escritores e os compositores e, também, porque o próprio “fazer literário” usa as palavras de forma distinta daquela com que é utilizada no senso comum e amplia os recursos expressivos possíveis.

GÍRIAS
As gírias nascem num determinado grupo social e passam a fazer parte da linguagem familiar de várias camadas sociais.  Podem também ser constituídas de estrangeirismo e neologismos.
O processo de formação de gírias inclui metáforas, truncamentos, sufixação, acréscimo de sons ou sílabas, e, às vezes, palavras de baixo calão.  Por exemplo: nas frases “Está um sol de chapar o coco!” e “Não esquente a moringa com isso”, as gírias são formadas com base em metáforas – coco e moringa estão no lugar de cabeça; chapar quer dizer “esquentar”, e esquentar, na segunda frase, significa “preocupar”.
A gíria pode revelar a idade do falante.  Uma pessoa de 50 anos provavelmente sabe o significado destas gírias: “boco-moco”, “cafona”, “careta”, “joia”, “é uma brasa, mora”, “prafrentex”. Um jovem sabe o que é “parada sinistra”, “pro “responsa”, “mó legal” e “da hora”.
A gíria também é conhecida como jargão quando se refere à linguagem peculiar usada por quem exerce determinada profissão.  Veja estes exemplos do jargão da área de economia e finanças: quase moeda (o mesmo que depósitos de poupança, títulos emitidos pelo governo etc.), duopólio (mercado no qual só há dois vendedores), boom (fase de aumento significativo no número de transações no mercado de ações).

REGIONALISMOS
No Brasil, a influência de várias culturas deixou na língua portuguesa marcas que acentuam a riqueza de vocabulário e de pronúncia.  As diferenças na nossa língua não constituem erro, mas são consequência das marcas deixadas pelas línguas originais que entraram na formação do português falado no Brasil, no qual estão presentes sobretudo elementos de línguas indígenas e africanas, além das europeias, como o francês e o italiano.
Existem diversas variantes linguísticas quanto à forma de expressão escrita e falada de acordo com as regiões em que as pessoas vivem.  São os regionalismos linguísticos, que diferem quanto ao sotaque ou pronúncia de cada região.
Um mesmo objeto pode ser nomeado por palavras diversas, conforme a região.  Por exemplo: “pipa” ou “papagaio”, no Rio Grande do Sul, se chama “pandorga”; “semáforo” pode ser designado por “farol” em |São Paulo, e “sinal” ou “sinaleiro” no Rio de Janeiro.

EXERCÍCIOS
Desabafo
Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.
CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).

1-Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois
a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.
b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.
c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.
d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais.
e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação. 

Alternativa “b”. É possível observar que a atitude do enunciador sobrepõe-se àquilo que está sendo dito, com predominância da função emotiva da linguagem, já que a mensagem está voltada para aspectos subjetivos do enunciador.

2- A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à ampliação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica. Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali. Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra?
CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico: do presente para o passado. In: Cadernos de Letras da UFF, n. 36, 2008. Disponível em: www.uff.br. Acesso em: 26 fev. 2012 (adaptado).

Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que
a) o estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica.
b) os estudos clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.
c) a avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.
d) a adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos.
e) os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística.

A alternativa “e”, a opção correta, revela o ponto de vista da autora ao afirmar que os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística, ou seja, segundo ela, defender a pureza da linguagem de maneira limitada só revela um conhecimento deficiente da língua.


ATIVIDADES COM COERÊNCIA E COESÃO - 2° ANO - ENSINO MÉDIO

COESÃO E COERÊNCIA
 Morfologia X Sintaxe / Coesão X Coerência
Morfologia X Sintaxe
Morfologia
: Estuda as palavras de acordo com a classe gramatical a qual ela pertence.
Sintaxe
: Estuda a função que as palavras desempenham dentro da oração.

Coesão X Coerência
Coesão
: trata-se, basicamente, das articulações gramaticais existentes entre as palavras, orações e frases.
Coerência
: trata-se de quando um conjunto de ideias apresenta nexo e uniformidade.
A magia das palavras é enorme, pois elas expressam a força do pensamento. Estas têm o poder de transformar e de conscientizar.

EXERCÍCIOS

1- Nestas questões, apresentamos alguns segmentos de discurso separados por ponto final. Retire o ponto final e estabeleça entre eles o tipo de relação que lhe parecer compatível, usando para isso os elementos de coesão adequados.

a- Vai faltar alimento e os preços vão disparar. Uma seca desoladora assolou a região sul, principal celeiro do país.      (____________________________)

R. Vai faltar alimento e os preços vão disparar, pois (já que, visto que, porque...) uma seca desoladora assolou a região Sul, principal celeiro do país.

b- O solo do Nordeste é muito seco e aparentemente árido. Quando caem as chuvas, imediatamente brota a vegetação. (____________________________)

R. O solo do Nordeste é muito seco e aparentemente árido, mas (porém, contudo, todavia), quando caem as chuvas, imediatamente brota a vegetação.  

2- Sobre a coerência textual, é incorreto afirmar:

a) A coerência é uma conformidade entre fatos ou ideias, própria daquilo que tem nexo, conexão, portanto, podemos associá-la ao processo de construção de sentidos do texto e à articulação das ideias.

b) Por serem os sentidos elementos subjetivos, podemos dizer que a coerência não pode ser delimitada, pois o leitor é o responsável pela constituição dos significados do texto.

c) A coerência é imaterial e não está na superfície textual. Compreender aquilo que está escrito dependerá dos níveis de interação entre o leitor, o autor e o texto. Por esse motivo, um mesmo texto pode apresentar múltiplas interpretações.

d) A não contradição, a não tautologia e o princípio da relevância são elementos básicos que garantem a coerência textual.

e) A coerência textual dispensa o uso adequado dos conectivos, elementos que apenas colaboram para a estruturação do texto sem apresentar relação direta com a semântica textual.

R - Alternativa “e”. O uso adequado dos conectivos é um importante mecanismo de estruturação do texto, seja nos aspectos relacionados à semântica, seja nos aspectos relacionados à sintaxe. Um texto pode ser coerente sem conectivos, contudo, esses elementos garantem dois movimentos de leitura essenciais em uma redação: 

3- Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de infarto,mas também de problemas como morte súbita e derrame. Significa que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos,com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável.
(ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009)
As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que
a) a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias.
b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste.
c) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma generalização.
d) o termo “Também” exprime uma justificativa.
e) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol e de glicose no sangue”.
R- A - A locução ‘’além disso’’ estabelece coesão e marca uma sequência de ideias e enumera os benefícios de um estilo de vida saudável, com a prática regular de exercícios físicos e alimentação equilibrada. A expressão introduz mais ideias em consonância com as apresentadas anteriormente.

ATIVIDADES SOBRE LINGUAGEM LITERÁRIA E NÃO LITERÁRIA - 1° ANO - ENSINO MÉDIO


LITERATURA
 A literatura é uma forma artística de representação da realidade. Literatura é ficção; é a recriação de uma realidade, através de palavras são combinadas de maneira pessoal, criativa, subjetiva. A combinação revela a maneira individual de cada escritor interpretar a realidade.

LINGUAGEM LITERÁRIA E NÃO LITERÁRIA
 Na literatura, as palavras podem não ter o mesmo valor das palavras que utilizamos na vida diária. Em nosso cotidiano,as palavras têm um valor utilitário, ao passo que, se usadas no texto literário, adquirem valor artístico, podendo criar um mundo poético ou ficcional, por meio da maneira como são usadas.

O artista da palavra pode nos retratar uma realidade ao seu modo. A realidade literária (a criação literária) pode estar em desacordo com a realidade sensível, objetiva.

A linguagem literária é conotativa, utiliza figuras (palavras de sentido figurado), em que as palavras adquirem sentidos mais amplos do que geralmente possuem.

Na linguagem literária há preocupação com a escolha e a disposição das palavras, que acabam dando vida e beleza a um texto.

A linguagem não literária
 é objetiva, denotativa, preocupa-se em transmitir o conteúdo, utiliza a palavra em seu sentido próprio, utilitário, sem preocupação artística.

Portanto, a literatura é de grande importância, porque é a expressão do ser humano e da vida, e porque retrata épocas, costumes e ideias
.

Exercícios
1- Sobre a linguagem não literária é correto afirmar, exceto:

a) É utilizada, sobretudo, em textos cujo caráter seja essencialmente informativo.
b) Sua principal característica é a objetividade.
c) Utiliza recursos como a conotação para conferir às palavras sentidos mais amplos do que elas realmente possuem.
d) Utiliza a linguagem denotativa para expressar o real significado das palavras, sem metáforas ou preocupações artísticas.

 Resposta - Alternativa “c”. Na linguagem não literária não há espaço para a linguagem figurada presente em metáforas, pois sua principal função é transmitir uma mensagem de maneira objetiva.

2- São características da linguagem literária, EXCETO:

a) Variabilidade.
b) Multissignificação.
c) Denotação.
d) Liberdade na criação.
e) Complexidade.

Resposta-Alternativa “c”. A linguagem literária é conotativa, isto é, uma palavra, quando usada no sentido conotativo, permite diferentes significados e múltiplas interpretações. A denotação é própria dos chamados “textos não literários”.

3- TEXTO I
Leia os fragmentos abaixo para responder à questão:
O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Fonte: “O açúcar” (Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980, pp.227-228)
TEXTO II
A cana-de-açúcar
Originária da Ásia, a cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVI. A região que durante séculos foi a grande produtora de cana-de-açúcar no Brasil é a Zona da Mata nordestina, onde os férteis solos de massapé, além da menor distância em relação ao mercado europeu, propiciaram condições favoráveis a esse cultivo. Atualmente, o maior produtor nacional de cana-de-açúcar é São Paulo, seguido de Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além de produzir o açúcar, que em parte é exportado e em parte abastece o mercado interno, a cana serve também para a produção de álcool, importante nos dias atuais como fonte de energia e de bebidas. A imensa expansão dos canaviais no Brasil, especialmente em São Paulo, está ligada ao uso do álcool como combustível.
Com relação aos textos I e II, assinale a opção incorreta:
a) No texto I, em lugar de apenas informar sobre o real, ou de produzi-lo, a expressão literária é utilizada principalmente como um meio de refletir e recriar a realidade.
b) No texto II, de expressão não literária, o autor informa o leitor sobre a origem da cana-de-açúcar, os lugares onde é produzida, como teve início seu cultivo no Brasil, etc.
c) O texto I parte de uma palavra do domínio comum – açúcar – e vai ampliando seu potencial significativo, explorando recursos formais para estabelecer um paralelo entre o açúcar – branco, doce, puro – e a vida do trabalhador que o produz – dura, amarga, triste.
d) No texto I, a expressão literária desconstrói hábitos de linguagem, baseando sua recriação no aproveitamento de novas formas de dizer.
e) O texto II não é literário porque, diferentemente do literário, parte de um aspecto da realidade, e não da imaginação.

Resposta - Alternativa “e”. O texto I, embora seja literário, também fala da realidade, utilizando-se da expressão literária para construir novos significados. Não podemos afirmar, portanto, que o texto de Ferreira Gullar seja fruto da imaginação do poeta, ele apenas escolheu o discurso literário para expor sua opinião sobre o assunto em questão.